Quando as viagens internacionais vão voltar? Aqui está o que sabemos até agora


Marnie Hunter, da CNN
10 de janeiro de 2021 às 14:14
Itens de viagem
As viagens internacionais foram interrompidas na pandemia, mas poderão ser retomadas em breve
Foto: Rana Sawalha via UnSplah

Há esperança: as férias de julho no exterior podem acontecer em grande estilo este ano.

O número de pessoas querendo uma escapada de seus países começará a aumentar no meio do semestre e aumentará ainda mais no meio do ano, preveem especialistas do setor de turismo. Nessa época, vacinas e medidas de segurança estarão implementadas de forma mais ampla e os casos de coronavírus em todo o mundo começarão a cair novamente.

“Estou bastante confiante de que de 10 de maio em diante estaremos todos em um mundo muito melhor”, disse Paul Charles, fundador e CEO da consultoria de viagens com sede em Londres The PC Agency.

Vacinas e testes são o caminho a seguir, afirmam Charles e outros especialistas do setor, mas é extremamente necessário que haja uma coordenação mais consistente nas fronteiras.

“Quando não há uma abordagem global coordenada, é muito difícil para a indústria seguir em frente, especialmente quando as regras do jogo mudam quase todo dia”, disse Luis Felipe de Oliveira, diretor geral do Airport Council International (ACI), uma organização que representa os aeroportos mundiais.

Há muito mais trabalho a ser feito para definir protocolos de teste que permitiriam aos viajantes internacionais optarem por não entrar em quarentena, além de encontrar maneiras de compartilhar informações de vacinação e testes de forma uniforme e segura.

Aeroporto
Os aeroportos viram os corredores ficarem mais vazios durante a pandemia
Foto: JeShoots via UnSplash

As nações são soberanas e decidem o que é melhor para elas individualmente, olhando para suas próprias situações de saúde e economias. Mas houve progresso no sentido de fazer os países olharem de forma mais global para a enorme força econômica que é o turismo.

Uma sopa de letrinhas de agências, organizações e empresas (OMT, ICAO, ACI, WTTC, além das companhias aéreas) colaboraram em vários conjuntos de diretrizes e recomendações destinadas a tornar as viagens mais seguras, fáceis e menos confusas para um mundo de consumidores famintos por uma mudança de cenário.

Oliveira, da ACI, diz que a recuperação do verão pode significar que o tráfego aéreo internacional atinja de 50% a 60% dos níveis anteriores na maioria dos países.

Veja alguns dos obstáculos que os viajantes e a indústria precisarão superar à medida que as viagens aumentarem:

Eliminar quarentenas

Os requisitos de quarentena obrigatórios – e sempre em mudança – “basicamente estão matando o processo de reinicialização do setor”, disse Oliveira.

Quando falou à CNN Travel, o diretor da ACI estava no 120 dia uma quarentena de duas semanas em Montreal, depois de voltar para casa de uma viagem de negócios à República Dominicana seguida de uma viagem pessoal ao México. Ele ficou em quarentena quatro vezes nos últimos sete meses, passando 56 dias em casa sem a possibilidade de sair.

Esse tipo de investimento de tempo, juntamente com a confusão em torno dos requisitos – ir e voltar para casa – são grandes impedimentos para pessoas que, de outra forma, estariam dispostas a viajar. A segurança é essencial, mas aqueles no setor estão defendendo uma abordagem mais diferenciada e em camadas.

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Um mecanismo de teste é necessário para evitar quarentenas, nota Tori Emerson Barnes, vice-presidente executivo de relações públicas e políticas da organização nacional sem fins lucrativos US Travel Association. Ele defende uma abordagem baseada na ciência e no risco para reabrir viagens internacionais, “olhando especialmente para a eliminação de quarentenas se o viajante tiver o protocolo de teste correto em vigor”.

Embora as vacinas sejam críticas, Oliveira e outros dizem que o setor de turismo não pode de forma alguma esperar até que as vacinas sejam totalmente administradas globalmente. O teste seria, então, uma parte essencial da equação para viagens mais seguras no curto prazo.

Barnes, da US Travel Association, mencionou um regime de dois níveis de testes 72 horas antes da partida e novamente após a chegada como um padrão possível. Ela citou um programa piloto de testagem no Havaí, no qual uma quarentena de dez dias pode ser ignorada na maioria das ilhas se há resultado negativos para o coronavírus.

Viagem
Muitos sentiram falta de viajar durante a pandemia
Foto: Drif Riadh via UnSplash

Embora a US Travel incentive as pessoas a se vacinar e a fazer testes em locais que exigem quarentena, a associação não está procurando requisitos gerais para o acesso, disse Barnes. "Não diríamos que é preciso ter uma vacina para viajar”.

Ela reconhece que determinar quem é responsável por criar e implementar protocolos consistentes é um desafio. “O governo não quer necessariamente fazer isso, e não sei se o setor privado deveria ter essa responsabilidade”.

Mesmo assim, países e organizações em todo o mundo estão fazendo progressos na coordenação de abordagens comuns, diz Alessandra Priante, diretora regional para a Europa da Organização Mundial do Turismo (OMT), uma agência das Nações Unidas.

Uma forma coordenada de teste já está sendo implementada em vários casos, e o próximo passo em nível global é o rastreamento, afirma Priante, “para garantir que somos capazes de compartilhar uma certa quantidade de dados, porque, se não fizermos isso, não teremos todas as informações que devemos ter”.

Ser vacinado e ter provas

Algumas dessas informações provavelmente se referem às vacinas. O programa de vacinação do Reino Unido está bem encaminhado. Outros países também fizeram progressos significativos e o programa dos Estados Unidos está crescendo lentamente.

A confusão dos viajantes também pode aumentar, com mais pessoas começando a se movimentar nos próximos meses e requisitos adicionais entram em jogo para testes negativos e comprovantes de vacinação.

Avião
Viagens de avião foram consideradas perigosas durante a pandemia
Foto: Gerrie Van der Walt

A Austrália, por exemplo, acaba de anunciar que vai exigir testes de PCR negativos para Covid-19 de todos os viajantes, e a companhia aérea Qantas sugeriu que em breve todos os passageiros internacionais deverão ter um certificado de vacinação.

Para Oliveira, da ACI, precisamos de uma abordagem global harmonizada para reconhecer e compartilhar com precisão e segurança as informações sobre vacinação e teste.

As práticas atuais – envolvendo documentos impressos de laboratórios desconhecidos, em idiomas que podem ser desconhecidos para aqueles que os inspecionam ou um emaranhado de bancos de dados não conectados em todo o mundo – estão bem longe do ideal.

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É por isso que a ACI suporta o uso de aplicativos de saúde, como CommonPass, uma ferramenta que permitiria aos viajantes compartilhar resultados de laboratório e registros de vacinação sem revelar outras informações pessoais de saúde. A International Air Transport Association (IATA) também está trabalhando em um projeto digital, a Plataforma Travel Pass.

Mesmo quando as vacinas se tornarem amplamente disponíveis, nem todos irão tomá-las e os pesquisadores estão avaliando se o vírus ainda pode ser transmitido por pessoas vacinadas. Uso de máscaras, distanciamento social, saneamento e outras camadas de segurança ainda farão parte da vida diária (e das viagens) por muito tempo.

Medidas no meio tempo

Viagens internacionais perfeitas não acontecerão durante a noite.

Mesmo enquanto esperamos por declínios nos casos de coronavírus e uma coordenação mais global com viagens internacionais mais seguras e menos confusas, destinos e corporações estão cada vez mais implementando suas próprias soluções provisórias.

A Delta Air Lines está testando alguns voos sem quarentena com passageiros testados para Covid-19 entre EUA e Holanda – além de apresentarem o resultado de teste de PCR que fizeram, os viajantes devem passar por um teste rápido de antígeno antes do embarque.

Oliveira acha que o teste rápido de antígenos é uma ferramenta potencial na recuperação do setor. Embora considerados menos precisos, esses testes são muito mais rápidos e menos caros do que os exames moleculares.

Islândia e Hungria adotaram o conceito de “passaportes de imunidade”, permitindo a entrada de pessoas que já foram infectadas com Covid-19 e se recuperaram.

Bolhas de viagens, como o tão esperado e bidirecional corredor entre Nova Zelândia e Austrália, permitem que as pessoas viajem de um país para outro sem entrar em quarentena.

Infelizmente, como a maioria das coisas relacionadas à Covid-19, essas medidas estão sujeitas a alterações.

“Os corredores podem ser úteis se forem consistentes, mas eles vão e volta, abrem e fecham em um curto espaço de tempo e isso não ajudou em nada os consumidores”, observou Paul Charles, o consultor do setor de viagens.

O grande objetivo: misturar-se com estranhos

Priante, da OMT, espera que os altos e baixos se estabilizem em breve, porque o mundo está perdendo.

“O que mais lamento é a perda do sentido do turismo, que é confiar no desconhecido, a beleza de explorar, de encontrar alguém que você nunca conheceu de outra cultura, de outra nação. Tudo isso está em pausa agora porque as pessoas estão nos dizendo ‘não confie em ninguém, atravesse a calçada, use sua máscara, não se misture’”, afirmou.

Embora Priante e seus colegas tenham tomado todas as precauções e continuado a viajar e trabalhar para enfrentar a crise global que está ameaçando a subsistência do setor, ela quer ver mais pessoas viajando com segurança.

“Queremos levar o espírito do turismo de volta ao coração das pessoas. Porque turismo é construir memórias. Queremos voltar a isso, queremos nos tornar novamente a indústria de belas memórias”.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês).