A Covid encerrou a temporada de esqui nos Alpes —com uma exceção


Saskya Vandoome e Melissa Bell, da CNN
11 de dezembro de 2020 às 14:16 | Atualizado 11 de dezembro de 2020 às 14:18


 

A recente decisão da França de fechar teleféricos de esqui por causa da Covid é um desapontamento para muitos amantes dos esportes de inverno. Para Catherine Jullien-Breches, foi devastador o suficiente para fazê-la chorar. 

"Fiquei com lágrimas nos olhos, me senti tão impotente", disse ela, a prefeita da cidade resort de Megeve, à CNN

Os fechamentos, anunciados no mês passado pelo presidente Emmanuel Macron, acabou com todas as esperanças dos resorts de esqui franceses de reabrirem no normalmente agitado período do Natal —um movimento que vai levar em bilhões de perdas para a indústria do turismo. 

Leia também:

Como um resort de esqui na Áustria ajudou a Covid-19 a se espalhar pela Europa

Com outros países alpinos —Itália, Alemanha e Áustria— acompanhando a decisão, os maiores destinos montanhosos da Europa ficarão vazios. As pistas nevadas ficarão, majoritariamente, sem o barulho costumeiro dos esquis e snowboards. 

E ainda assim, a menos de 100 km de Megeve, nas mesmas montanhas, as encostas ficarão abertas para negócio. Em Verbier, cidade montanhosa da Suíça, os teleféricos continuam carregando pessoas para a vasta área de esqui de 4-Vallées. 

Os bares e restaurantes ainda terão clientes bebendo vinho quente e comendo fondue. 

Poucos na indústria europeia de esqui esquecerão as experiências do inverno passado, quando o resort de esqui austríaco Ischgl foi, por um momento, visto como o marco zero da Covid no continente. 

Desesperados por ajuda

Lago congelado em Megeve, nos alpes franceses
Lago congelado em Megeve, nos alpes franceses
Foto: Matti Blume/Wikicommons (17.mar.2019)

Mas, a questão para aqueles afetados pelos fechamentos é, se é seguro para a Suíça abrir as pistas, por que não é para outros países? 

Em Megeve, o fechamento dos teleféricos significará uma perda de oito milhões de euros (aproximadamente R$ 49,2 milhões). E, diz Jullien-Breches, para cada euro perdido nas pistas, outros sete são perdidos nos hotéis, restaurantes e bares da vila. 

Muitos negócios locais, ela teme, simplesmente não sobreviverão. 

"Eu queria poder fazer algo, mas não seremos capazes de apoiar esses negócios que realmente precisam da nossa ajuda". 

Um raro protesto aconteceu no centro de Megeve em 30 de novembro. Mas como a prefeita, os locais sabem que há pouco que eles podem fazer. 

Michel Cugier, que administra o teleférico em Megeve, estava se preparando para abrir com medidas de distanciamento social para garantir uma temperatura segura. Em vez disso, agora ele se prepara para suspender o contrato da maior parte do seu quadro de 250 funcionários temporários.

"É realmente injusto", disse Cugier. "Eu tinha trabalhado em medidas de protocolo contra a Covid e realmente esperava que pudéssemos abrir". 

Dez milhões de visitantes vão até a França todos os anos para esquiar, gerando 10 bilhões de euros e empregando 120 mil pessoas, de acordo com o órgão da indústria Domaines Skiables. 

Lições aprendidas

Outros resorts franceses também protestaram contra a decisão. Na cidade próxima Bourg-Saint-Maurice, os manifestantes carregavam cartazes com corações partidos para expressar frustração com a restrição e pedir ao governo que salvasse seus empregos. 

A raiva aumentou pela abertura dos resorts do outro lado da fronteira, na Suíça. 

A decisão de fechar as montanhas na Alemanha, França, Itália e Áustria não foi fácil. A Áustria inicialmente anunciou a intenção de prosseguir com a temporada, mas, eventualmente, se curvou à pressão de seus parceiros da União Europeia —com a exceção de abrir o teleférico para residentes na véspera de Natal. 

O objetivo da restrição, com a Europa continuando a lutar contra a segunda onda de Covid-19, é evitar o tipo de aglomeração que Ischgl na Áustria representou durante a primeira. 

Mas o custo parece ser vultoso. A cada ano, o esqui na Europa traz cerca de 34 bilhões de euros em renda —metade do total mundial— de acordo com Laurent Vanat, um consultor da indústria do esqui. 

Na Suíça, que não é membro da União Europeia, Laurent Vaucher, o diretor dos teleféricos de Verbier, disse que muito foi aprendido desde que Ischgl foi apontada pelas autoridades de saúde como parte crítica da primeira onda europeia. 

"Nós não tínhamos nenhuma medida implementada", disse ele à CNN

"Não tínhamos máscara, distanciamento social, então agora o jogo é diferente e estamos praticamente certos que podemos fazer o trabalho para manter o esqui e o resort seguros". 

'Salvando o inverno'

Em Verbier, os esquiadores devem usar máscaras nos teleféricos. Há filas reguladas com distanciamento e menos pessoas são permitidas nas cabines fechadas. 

As medidas não são aplicadas só nas montanhas, mas também na vila, onde o uso de máscaras será obrigatório ao longo do período de feriados. Os líderes locais disseram estar trabalhando duro para garantir que nada fique à mercê da sorte. 

"Para nós, não é só salvar o feriado do Natal, mas é para salvar o inverno", disse Simon Wiget, diretor da agência de promoção do turismo em Verbier. 

"E é para salvar nossa reputação, porque savemos que todos estão nos observando e se fizermos um erro e, por conta desse erro, acontecer um surto, seremos vistos como maus organizadores". 

As infecções pelo novo coronavírus na Suíça estão escalando e a partir do sábado (12) o país planeja proibir todos os eventos públicos e implementar mais restrições em reuniões particulares.

"A situação do corona está piorando perceptivelmente", disse o porta-voz do governo suíço no Twitter, André Simonazzi, na última terça-feira (8). 

"As unidades de terapia intensiva estão bastante ocupadas e os profissionais de saúde estão exaustos", disse Simonazzi. 

Com leitos hospitalares quase cheios de pacientes da Covid, a pressão aumenta sobre os resorts da Suíça para entregar uma temporada com o menor número de casos possível. 

Ainda mais sob o olho observador dos vizinhos que tiveram que implementar restrições de viagem para prevenir que seus próprios residentes corressem para a fronteira para aproveitar os picos suíços. 

(Texto traduzido, leia o original em inglês)