Em colapso na saúde, Manaus vacina enfermeira indígena e inicia imunização

'Essa vacina representa muito para os povos indígenas', disse a técnica de enfermagem Vanda Ortega, de 33 anos

José Brito, Karla Chaves e Guilherme Venaglia, da CNN, em Manaus e em São Paulo
18 de janeiro de 2021 às 22:36 | Atualizado 19 de janeiro de 2021 às 07:02

 

Cidade com situação de colapso no sistema de saúde, Manaus iniciou a vacinação contra a Covid-19 na noite desta segunda-feira (18).

A largada na imunização na capital do Amazonas aconteceu com a vacinação de uma profissional de enfermagem de origem indígena. Foi vacinada Vanda Ortega, atuante no Parque das Tribos, bairro que reúne diversas etnias na cidade.

Vanda Ortega é da etnia Witoto. O Amazonas é o estado com a maior população indígena do Brasil. Em razão das vulnerabilidades e dificuldades no atendimento, os indígenas estão entre os grupos prioritários para a vacinação.

"Viva os povos indigenas desse pais! Que todos os povos indígenas sejam vacinados! Essa vacina representa muito para os povos indígenas", disse Vanda. "Não era para a gente estar aqui, porque nós temos quatro parentes sendo encaminhados agora para as UPAs", completou a técnica de enfermagem.


Enfermeira indígena vacinada em Manaus
A técnica em enfermagem Vanda Ortega, de 33 anos, vacinada contra a Covid-19 em Manaus (AM) - 18 jan. 2021
Foto: José Brito/CNN

 


 A opção pela primeira vacinas reflete as prioridades da primeira etapa da campanha de imunização no Amazonas: os profissionais da saúde e os indígenas.

Após viajar a Brasília para se encontrar com o ministro Eduardo Pazuello, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), retornou à Manaus para participar do início da campanha de vacinação. 

A dose aplicada é da Coronavac, a vacina do Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Sinovac. 

O uso emergencial da Coronavac foi autorizado pela diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) neste domingo (17).

Pela distribuição do Ministério da Saúde, o Amazonas ficou com 282.320 doses das 6 milhões autorizadas pela Anvisa. A previsão do plano oficial é que, destas, 212.440 sejam para a população indígena e outras 69.880 sejam para a população em geral.

A outra vacina autorizada pela agência no domingo, a de Oxford/AstraZeneca, ainda não tem doses disponíveis no Brasil para a imunização.

A vacinação no país começou já no domingo, com a imunização da enfermeira Mônica Calazans, em São Paulo. As 4,6 milhões de doses enviadas a partir de São Paulo começaram a ser distribuídas nesta segunda, com a vacinação já tendo começado também no estado de Goiás.