Temporada de 2021 da F1 terá quatro campeões e grid mais vitorioso da história


Por Vital Neto*, da CNN, em São Paulo
31 de dezembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 31 de dezembro de 2020 às 11:52
Fórmula 1 renovou contrato com todas as 10 equipes até 2025

Temporada contará com estreias e retornos de marcas e pilotos

Foto: Divulgação - 16.ago.2020/ LAT Images/ Daimler AG


A Fórmula 1 terá diversas novidades em 2021 e já começará quebrando recordes quando for dada a largada para o GP da Austrália, primeira etapa do campeonato. Dos 20 pilotos no grid, 10 já venceram na categoria. Além disso, a temporada contará com estreias e retornos de marcas e pilotos, introdução de teto orçamentário e recorde de corridas.

Campeões e vencedores no grid

A F1 terá quatro campeões mundiais no grid em 2021: Lewis Hamilton (7), Sebastian Vettel (4), Fernando Alonso (2) e Kimi Raikkonen (1). Com esses pilotos, a categoria terá os campeões de 14 das 16 últimas temporadas e, ao lado de 2012, este forma o recorde de títulos mundiais nas pistas.

Além da presença de campeões, a temporada terá metade do grid formado por pilotos vencedores de corridas. Os 10 pilotos venceram ao todo 231 provas da categoria, o que torna o grid de 2021 o mais vencedor de todos os tempos.

Os pilotos vitoriosos são: Hamilton (95), Vettel (53), Alonso (32), Raikkonen (21), Max Verstappen (10), Valtteri Bottas (9), Daniel Ricciardo (7), Charles Leclerc (2), Pierre Gasly (1) e Sergio Pérez (1). Somente duas equipes não contarão com pilotos vitoriosos: Williams e Haas.

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Novidades e reencontros no grid

Na Haas, equipe americana parceira da Ferrari, estreiam dois novatos: O campeão da F2 em 2020, Mick Schumacher, que é membro da academia de pilotos da Ferrari, e Nikita Mazepin, filho do bilionário russo Dmitry Mazepin, que patrocina a carreira do jovem. O outro estreante do grid é Yuki Tsunoda, japonês que guiará pela Alpha Tauri ao lado de Pierre Gasly.

Mazepin protagonizou um escândalo de assédio em dezembro de 2020 e fãs da equipe têm cobrado sua demissão. O piloto russo publicou um vídeo nas próprias redes sociais em que tocava de forma inapropriada uma jovem enquanto um colega dirigia o carro em que estavam. A Haas informou que lidaria com a questão internamente e confirmou o russo para 2021.

O tetracampeão Sebastian Vettel estreará pela Aston Martin, marca que retorna à categoria depois de mais de 60 anos fora do grid. A fabricante de carros esportivos adquiriu parte das ações da Racing Point e terá, além de Vettel, Lance Stroll como piloto. O canadense é filho de um dos proprietários do time, Lawrence Stroll.

Daniel Ricciardo assume a vaga deixada por Carlos Sainz Jr. na Mclaren, depois de o espanhol deixar a equipe de Woking para assumir o volante da Ferrari, ao lado de Charles Leclerc. Ricciardo será companheiro de Lando Norris

Um dos retornos mais aguardados pelos fãs é o de Fernando Alonso. O bicampeão se reencontra com a equipe com a qual conquistou seus dois títulos, a Renault, que também será rebatizada para Alpine Renault, para dar visibilidade à marca de esportivos da empresa francesa.

Outro retorno será do GP da Holanda, que não fazia parte do calendário da categoria desde 1985. Além da pista de Zandvoort, todas as que ficaram de fora da temporada 2020 por conta da pandemia também estarão de volta, como é o caso de Interlagos. O calendário de 2021 será o mais longo da história, com 23 corridas, que serão disputadas entre março e dezembro.

Ferrari foca em 2022

De olho nas novidades da Fórmula 1 para 2022, quando os regulamentos técnicos serão profundamente alterados, a Ferrari já admitiu que focará seus esforços no novo projeto e deixará 2021 em segundo plano.

O chefe da equipe italiana, Mattia Binotto, já admitiu publicamente que a escuderia deverá ter outra temporada difícil, embora tenha afirmado que espera que os ajustes aerodinâmicos e o novo motor sejam o suficiente para a equipe melhorar seu desempenho.

Questões não resolvidas

O heptacampeão Lewis Hamilton está sem contrato para 2021 até o momento. O britânico ainda não assinou sua renovação com a Mercedes, apesar de ambas as partes afirmarem que têm o interesse mútuo de continuarem juntas após a conquista de seis títulos de pilotos e sete de equipe juntos. Segundo o chefe da equipe, Toto Wolff, a assinatura pode acontecer só na pré-temporada de 2021.

Outro ponto em aberto é sobre os motores que a Red Bull usará em 2022. A Honda, que atualmente fornece os propulsores do time austríaco, anunciou que deixará a categoria ao fim de 2021. A Red Bull aguarda aprovação das fabricantes rivais para assumir as operações do motor Honda até 2025.

Para conseguir isso, a fabricante de energéticos depende da antecipação do congelamento técnico das unidades de potência em um ano, algo que gerou controvérsia entre Ferrari, Mercedes e Renault.

Teto de gastos e ajustes nas regras

Em 2021 a Fórmula 1 adotará um teto de gastos pela primeira vez em sua história. O objetivo da categoria é tornar o esporte mais competitivo e financeiramente saudável. 

O limite orçamentário para cada equipe foi fixado em US$ 145 milhões e não cobre as despesas com salários dos pilotos. 

Originalmente o valor seria maior, mas as 10 equipes concordaram em limitar ainda mais os gastos devido aos problemas financeiros causados pela pandemia da Covid-19.

Por conta dos investimentos necessários para os novos carros de 2022 e os problemas financeiros, as equipes também concordaram em manter o regulamento técnico de 2021 praticamente idêntico ao de 2020.

As únicas grandes alterações técnicas serão na construção dos pneus Pirelli, que terão maior resistência ao desgaste, e na redução das cargas de pressão aerodinâmica dos carros. As mudanças têm o objetivo de evitar stress dos pneus e devem tornar os carros mais lentos.

(*sob supervisão de Daniel Fernandes)